domingo, 12 de agosto de 2012








Prisão

O sol na vidraça. As mãos geladas, os pés gelados.
Quase meio-dia.
O dia pede cobertor, proteção contra o frio.
A vida também.
Tenta se aquecer, fazer alguma coisa que anime. Não dá.
O sol insiste contra a janela, mas perde.
A vida insiste contra o desânimo, mas perde.
Só resta o cobertor: proteção e esconderijo.
Lá fora há vida. Todos, ao sol, aquecem-se.
Aqui frio.
Frio nas mãos, nos pés, na pele, na alma...
Sob um cobertor de solidão, a vida adormece.
E o sol radiante... lá fora.


sexta-feira, 30 de março de 2012





Egocentrismo


O alarido invade meus ouvidos ofendidos. Quero silêncio. Não tenho.
Ainda é manhã e vespertino. Talvez até anoiteça, madrugue. Não sei.
O barulho continua. Eu continuo. Queria poder parar os dois. Dormir? Acho que não. A vida me chama. Só a queria um pouco mais silenciosa. Estou sensível! A poeira me incomoda o nariz, a claridade os olhos, o barulho... Maldito!
Quero silêncio de música escolhida. Quero o silêncio de livro preferido, quero o silêncio de amigos queridos por perto, quero o silêncio de estar em casa, em família. Quero o silêncio da agenda fechada. O silêncio de sonhar de olhos abertos, de escolher o que contemplar, quero o silêncio do sol de outono sobre a pele...
Quero discrição, segredo, intimidade.
Quero esquecimento.
Quero lembrança.
Quero de novo o mesmo.
Quero! E-go-ís-ti-ca-men-te!
Um outro lugar que não seja aqui.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Solução




A ansiedade a consumia.
Já havia comido salgados, já havia comido doces, já tinha pensado, já tinha parado de pensar... Nada! Absolutamente nada resolvia aquele incômodo no peito, aquele nó na garganta, aquela ideia teimosa em sua cabeça.
Pensou em sair, mas já era muito tarde e perigoso. Arrumaria os armários! Estava cansada demais para isso. Um filme! Isso! Um bom filme era o remédio! Não conseguiu se concentrar.
Pânico. Caminhou nervosa pelo pequeno apartamento. Ouviu um pouco de música. Respirou fundo várias vezes... Desistiu.
Ligou o computador e na folha virtualmente branca, despejou suas mais profundas angústias.
Estava feito. Dormiu como um bebê.

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Para Manu, no seu aniversário!


Menina bonita sem laço de fita
Apressa o passo, urgência de vida
Não conhece... não sabe...inventa!
Ultrapassa limites sem ver
Experimenta o novo ar nas narinas
Leve, esguia, bela menina
Ampara o futuro nas pequenas mãos

sábado, 15 de outubro de 2011

Retardamento

As coisas estão preguiçosas,
Em câmera lenta.
Sol morno
Vento fraco
Cheiro de terra molhada no jardim do vizinho
Olhar suspenso
Fala suspensa
Bicho cabeludo
Forrrrrrrrrmiga
Espreguiçadeira
s-l-o-w-m-o-t-i-o-n


Súbito, 

um pensamento
a mil quilômetros por hora!


quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Crença



Acredito no vento miudinho da manhã
Que sopra pra longe nuvens espessas
Acredito no primeiro raio de sol
Que dissipa toda a escuridão
Acredito que por mais densa
Escura
E longa
A noite tem um fim
No primeiro filete de sol
Da manhã de vento miudinho

domingo, 2 de outubro de 2011

Vida real



Abriu a porta, pegou o buquê, certificou-se de que era seu.
Jogou-o sobre a mesa e correu para sala.
Não podia perder a última cena de amor da novela.