Mostrando postagens com marcador contos - cantigas de roda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador contos - cantigas de roda. Mostrar todas as postagens

domingo, 1 de agosto de 2010

Leonor




Para quem a conhece de perto, Lelê.
Menina sapeca, aventureira. Sempre está onde não deve.
Pula muro, sobe em árvores, desce a ladeira trepada num carrinho de rolimã, faz manobras impossíveis com sua bicicleta.
A mãe promete uma surra todo santo dia. Que nada! Lelê pula a janela, corre em disparada. A mãe nunca a alcança. Dá risadas! Alegra a rua!
- Lelê caiu!
Cavalo malvado, abandonado, derrubou Lelê.
A rua está triste. Lelê tá quebrada.
Não tem mais risadas, nem surra de mãe.

Teresa


Teresa

Ela rodopia pelo salão. Seu longo vestido bordado, sua tiara de pérolas, o cabelo bem arrumado. Debuta.
O primeiro é o pai. Orgulhoso, não cabe em si diante da beleza radiante da menina-moça. Aos olhos de todos apresenta-a, sabendo que até ali fez o melhor. Teresa sorri. Seu sorriso combina com a tiara, com o lindo vestido branco, com sua pureza de menina.
O segundo é o irmão. Cumpre seu papel, mesmo achando que “paga mico” . Ama a irmã ainda que não revele. Novamente, Teresa é só sorriso. Graciosamente, ela baila consertando, sutilmente, os tropeços do irmão.
O terceiro. Ah! O terceiro...
Secretamente seu coração dispara. Suas mãos agora suam. Ninguém sabe, ninguém percebe. A menina que dançou com o pai e com o irmão deixa de existir.
Surge a moça apaixonada, arrepiada pelo toque da mão  em sua fina cintura. Os lábios, agora, desejam mais que sorrir. Querem sentir.
Ninguém sabe, ninguém percebe, mas para ela somente agora a festa começou.