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domingo, 4 de setembro de 2011
Acordos do tempo
_Filho, cuidado! Você vai se machucar...
_Pai, o senhor não pode mais comer isso!
_É assim que se faz. Tenta você agora.
_Não, pai. É muito pesado. Você não tem mais idade...
_ Deixa, filho, que o papai pega.
_ Já tomou seu remédio da pressão?
_ Já fez a lição?
_ Tá na hora de dormir.
_ Não consegue dormir, pai?
_ Durma bem, filho!
_ Durma bem, pai!
domingo, 15 de maio de 2011
Confissão
O dia chegara com olhos inchados. A noite fora extremamente longa.
Óculos escuros era a única solução possível para enfrentar o cruel sol que explodia do lado de fora.
Que luz era aquela? O dia merecia nuvens carregadas, raios, trovões e até gargalhada de bruxa. Entretanto, o sol brilhava.
A escova de dentes, o banho, o uniforme, o material escolar, os fones no ouvido, o estômago vazio...
Saco! A escola...
Queria estar em qualquer lugar do mundo, menos ali.
O mau humor, o corredor, as escadas, a parede pichada, a boca aberta!
O coração aos pulos, os degraus passando rapidamente, a sala, o lugar na sala, o fichário, o sorriso discreto.
- Quem escreveu “EU TAMBÉM AMO VOCÊ”?
Lá fora o sol começava a fazer sentido.
terça-feira, 19 de abril de 2011
2011
Pelas vítimas da chuva
Escutai a nossa prece
Pelas vítimas da dengue
Escutai a nossa prece
Pelas vítimas do terremoto
Escutai a nossa prece
Pelas vítimas do tsunami
Escutai a nossa prece
Pelas vítimas do tornado
Escutai a nossa prece
Pelas vítimas de Realengo
Escutai a nossa prece
Pelas vítimas do ódio
Pelas vítimas da política
Pelas vítimas do abandono
Pelas vítimas da mentira...
Escutai, Senhor, a nossa pressa!
sexta-feira, 8 de abril de 2011
Sentido da dor -
(Aos pais de Realengo)
Dores dos outros
Dores iguais
Dores diferentes
Mesmas dores
Dores machucam sempre.
O corte pequeno
O profundo corte
O tapa de leve
A bofetada
A dor do adeus
A da chegada
Dores profundas na mente
A dor do parto
Quase sempre esquecida
A dor da lida
Do dia-a-dia
A dor da bronca merecida
A do castigo que se deve
Dores machucam sempre
A dor da tragédia
Incompreendida
Da fatalidade
Surpreendida
Da bala achada
Na filha perdida
Dores profundas na mente
Do desespero da verdade
Da incompreensão
Da insanidade
Do choro contido
Do choro gritado
Da estupefação diante do fato
Dores machucam sempre
A dor de ser
De ser pai
De ser mãe
Sem mais o filho ter
Dores machucam sempre
Dores profundas na mente!
Dores dos outros
Dores iguais
Dores diferentes
Mesmas dores
Dores machucam sempre.
O corte pequeno
O profundo corte
O tapa de leve
A bofetada
A dor do adeus
A da chegada
Dores profundas na mente
A dor do parto
Quase sempre esquecida
A dor da lida
Do dia-a-dia
A dor da bronca merecida
A do castigo que se deve
Dores machucam sempre
A dor da tragédia
Incompreendida
Da fatalidade
Surpreendida
Da bala achada
Na filha perdida
Dores profundas na mente
Do desespero da verdade
Da incompreensão
Da insanidade
Do choro contido
Do choro gritado
Da estupefação diante do fato
Dores machucam sempre
A dor de ser
De ser pai
De ser mãe
Sem mais o filho ter
Dores machucam sempre
Dores profundas na mente!
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