Nasci em 27 de junho, numa rua repleta de sítios e árvores, às 23 horas numa casa na rua Regina de Moraes 111 ou Cova da onça como os moradores do bairro até hoje a chamam.
Com certeza herdei um pouco da quietude daquele lugar, daquela paz de ouvir murmúrios de riachos, cantos de bem-te-vis e outros tão sutis que nunca pude definir.
A casa onde nasci ainda existe. Morei pouco tempo nela, mas adorava passear por aquela rua sem saída que terminava sob um pedaço lindo de mata atlântica. Cansei de ficar na ponta dos pés tentando ver o que havia por trás das cercas vivas que encobriam casas abastadas de gente que nunca conheci. Era um lugar perfeito para as minhas crises adolescentes, meu ninho.
Quando eu não me entendia, inconscientemente, procurava a minha rua, o meu início.
Passaram-se mais anos do que eu gostaria; a rua agora está cheia de condomínios, entretanto meu olhar sobre ela não mudou. Ainda me vejo com chinelos de dedo caminhando por seu solo barrento, desnivelado, cheio de pedrinhas, misturando sonhos e realidade.
Turbulência cheia de vida!
Hoje, a rua em que moro é asfaltada. As pedras e os desníveis são outros, porém minha janela abre-se para dois grandes sítios cheios de pássaros, árvores, plantas e muitos barulhinhos que ainda não sei definir.
O tempo passou, mas felizmente, presenteou-me com a sabedoria dos anos.
Paz cheia de vida!
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domingo, 26 de junho de 2011
domingo, 1 de maio de 2011
Flash Back
Ouvir música sempre me fez viajar. Desde menina, perco horas sonhando, criando cenas com trilhas sonoras. A música é parte da minha própria história.
Minha mãe cantarolava Dolores Duran, Agostinho dos Santos, Ataulfo Alves; meu pai, Nélson Gonçalves. Engraçado que mesmo estando em plenos anos 70, eu gostava. Saboreava aqueles versos ainda que naquele momento não tivessem nada a ver comigo.
Guardei-os todos na memória. Até hoje sei cantá-los.
Lembro-me, também, de ouvir nas manhãs de domingo, um programa do governo sobre a história da MPB. Fico pensando que tipo de criança eu era.
A verdade é que na minha lembrança há músicas de todos os tipos, gêneros, letras... Muitas vezes, meus irmãos e eu lustrávamos o chão da nossa casa dançando disco music. Comunicávamos arbitrariamente nossa alegria com todo o bairro, colocando duas caixas de som na janela e elevando o volume ao máximo. Ninguém reclamava.
Mais tarde, já adolescente, minhas paixões sempre tinham uma canção preferida: lenta é claro! Pra fazer chorar aos montes. Normalmente temas de novela.
Saindo da adolescência, trabalhei por nove anos em rádio. Que paraíso!
Hoje, enquanto escrevo, ouço música. Média batida, porque não sofro de amor perdido, mas também não ando por aí saltitando.
Tudo tem seu tempo. O meu, tem acompanhamento musical.
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