quarta-feira, 7 de maio de 2014

Nominal













Sou taciturna. Gosto de frio, neblina, chuva fria, barulho de vento. Sou olhar impedido por montanhas, manto de nuvens, música tranquila, poucos amigos... poucas palavras.
Sou azul límpido de céu de outono e de montes. Sou verde-escuro de matas e rios escondidos. Sou segredo sempre!
Sou preguiça gostosa pela manhã, sono tardio, noites com lareira, taça de vinho, filme... poesia!
Sou ansiedade, preocupação.
Sou calma, placidez.
Sorriso e riso... choro mudo.
Arrepio, maciez, perfume... sugestão!
Não sou. Nada!

Sou alegria. Disco, rock, soul... danço.
Movimento sempre. Sol quente janelas abertas alarido.
Descortino desvendo descubro revelo.
Às claras!
Segredo aos quatro ventos.
Sou horizonte amplitude devaneio tentativa e erro.
Pés descalços corte na pele aspereza.
Cheiro de vida gosto de sal!
Sem cera:
Inconfundível!
Sou toda, Sou uma

sábado, 18 de maio de 2013

In








Sou borboleta  presa no escuro
O sol lá fora
O compromisso dentro
As asas nervosas
A impossibilidade do voo
Sou borboleta
Quero a luz
Quero o lá
Aqui é prisão
Aqui é frio
Descontentamento
Lá há cor
Há chão
Há árvores
Há nuvens
Há céu
Há sol...
Bendita seja a compensação!
Bendita seja!
Há poesia.

sexta-feira, 19 de abril de 2013

Anonimato




A porta entreaberta deixa entrar a luz da rua. Bem-vindo escrito em verde no tapete. O cinzeiro repleto de ansiedade manchada de vermelho. Sobre a poltrona a bolsa branca de verniz derrama chaves, nécessaire, clipes que se escondem agora nos rasgos do velho sofá.
A luz não alcança o gotejar da garrafa de vinho tingindo o piso. O cheiro embriaga.
No fundo do cômodo, um colchão jogado ao chão, um corpo jogado sobre o colchão. As pernas sobram. Os saltos espetam o ar. A lâmpada pendurada não pode esclarecer. Ninguém pode.
O sono é infinito. A tristeza é infinita. Ressoam no quadrado frio e sem ninguém.
Ninguém está deitado. Ninguém sabe quem é.
A luz já não entra. Não há o que iluminar.
No escuro, o sono é pra sempre... Pesado de dor.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Reflexo






Quem é essa que me olha do espelho?
A mulher no espelho não me retrata
Está trinta anos mais velha
Não tem a minha leveza
Não dança como eu
Não sonha como eu
Não ama como eu
Não quer viver como eu
A mulher no espelho é um fake
Um avatar malsucedido
Deixou o tempo passar
Desacreditou
Desanimou
Diluiu-se
Por que ela teima em aparecer no meu espelho?
Por que ela quer ser eu?
A mulher no espelho mente
O verdadeiro perfil
Mora dentro de mim
Flutua leve e solto
Jovem e alegre
Apaixonada por luas cheias
Por barulho de vento
Por colorido de flores
Por beijo de namorados
Por pores-do-sol
Por viagens imaginárias.
Tirem esta mulher de dentro do espelho
Coloquem aquela que mora dentro de mim!

segunda-feira, 14 de janeiro de 2013

Eu






Contemplo-me de longe
O ideal do ser está longe
Aqui do real,
Almejo
Luto
Caminho
Aproximo
Enquanto isso, a vida se realiza.


quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Âmago







Ser imperfeito
Pretérito
Deixando escapar presentes
Por um futuro inexistente
Etéreo
Romântico
Ultra
Evasivo
Fugitivo
Perdido
Cheio de chuvas finas
Ventos cortantes
Narizes contra vidraças
Apaixonado por luas
Cheias de promessas
Colhedor de sonhos
Alma aflita
Apertada na esfera mundo. 

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012










Milagre

Fui entretecido
Ocultado
Protegido
Fui segredo revelado por Ti
No Teu tempo
Sem pressa...
Sou projeto Teu
Sou Teu sopro de vida
Sou barro modelado por Tuas mãos.
Todos os meus dias são conhecidos por Ti
E tu já providenciaste suprimento para cada um deles
Sou porque Tu permites
Sou porque tu me amaste antes
Sou porque Tu és eternamente!