sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Intrusa




Aquela saudade, velha conhecida,
chegou hoje sem aviso,
sem arranjar desculpas
Instalou-se dona do pedaço.
Sentou na sala de estar,
colocou os pés sobre a mesa.,
mudou o canal da tv.
De soslaio, olhou-me com um sorriso irônico
E eu de novo pensando em você.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Birra



Não quero beijos
Não quero abraços
Quero estar só
Quero ouvir minha respiração
Quero ouvir meus pensamentos
Desliga o som da chuva que cai lá fora
Desliga o barulho dos grilos
Desliga o coral de sapos
Manda o vento parar de cantar com as árvores
Quero ouvir a melodia que toca em meu peito
E adormecer.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Lenitivo



Sonhos se acotovelam

Pensamentos se esbarram

A vida comprime

A razão sufoca

A pele se contrai

O suor escorre

O ego acredita

A visão se confunde

A língua engrossa

O coração descompassa



O jeito é fruir a paixão

É fazer poesia.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Bolero



Laça-me
enlaça-me
Entrelaça-me


aprisiona-me
Entreteça comigo uma nova história
Ate teu corpo ao meu
Sujeite minha alma à tua
Não me deixes fugir

Combine um final feliz
Amalgame nossas vidas
Torne os segundos em horas
Torne as horas em dias
Torne os dias em semanas
Torne as semanas em meses
Torne os meses em anos
Torne o temporal, eterno
Caminhemos
Vamos juntos até o fim.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Canção para ti, amiga

                                                                          A Márcia Lopes

Com sutileza de gestos
Com delicada presença
Com seu amor manifesto
Com bondade sem detença

Com firmes suaves passos
Com paciência e doçura
Com sorrisos sempre largos
Com elegância e ternura

Cativas porque tu és
Porque tens sabedoria
Não se dobra ao revés
Não demonstra covardia

Claridade, águas puras
Coração sempre aberto
Alma limpa sem ranhuras
Amizade em concerto

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Salto



Subi a montanha com os pés descalços
Abri-me para ter o infinito
Sorvi toda beleza que lá havia
Rasguei o peito num forte grito

Deixei que o sol minha pele queimasse
Deixei a chuva encharcar meu corpo
Deixei flores ornarem meus cabelos
Deixei minh’alma semear renovo

Mergulhei sem reservas do pináculo
Olhos fechados sem medo ou senso
Coração aberto para a paixão


Por ti ultrapassei os obstáculos
Voei sem lenço e sem documento
Transformei em morada teu coração