sábado, 7 de agosto de 2010

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Ousada


Não respiro
Penso em ti
Minha alma estremece
meu corpo.
Penso em ti
Sinto tua mão percorrendo meu corpo
Forte, ávida, sedenta.
Sinto tua boca na minha boca,
a tua língua na minha
Intimidade sem fim...
Doce sabor que só a paixão tem
Sinto-o em meus seios
Mordendo-me de prazer
Quero mais dessa dor!
Sinto-o em mim
Num ir e vir que não quero terminar.
Sinto
Sinto
Sinto...

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Moleca



(Para Manu)

Gira
Rodopia
Dança
Leve vento toca seu vestido
Esvoaça
Solitariamente bela
Nada é mais
Diante dela

Gira
Rodopia
Dança
Ecoa no ar sua gargalhada
Nada se ouve além dela

Brisa leve
Vento forte
Ventania
Mansidão
Silêncio
Calmaria
Dorme a menina no final do dia

domingo, 1 de agosto de 2010

Leonor




Para quem a conhece de perto, Lelê.
Menina sapeca, aventureira. Sempre está onde não deve.
Pula muro, sobe em árvores, desce a ladeira trepada num carrinho de rolimã, faz manobras impossíveis com sua bicicleta.
A mãe promete uma surra todo santo dia. Que nada! Lelê pula a janela, corre em disparada. A mãe nunca a alcança. Dá risadas! Alegra a rua!
- Lelê caiu!
Cavalo malvado, abandonado, derrubou Lelê.
A rua está triste. Lelê tá quebrada.
Não tem mais risadas, nem surra de mãe.

Teresa


Teresa

Ela rodopia pelo salão. Seu longo vestido bordado, sua tiara de pérolas, o cabelo bem arrumado. Debuta.
O primeiro é o pai. Orgulhoso, não cabe em si diante da beleza radiante da menina-moça. Aos olhos de todos apresenta-a, sabendo que até ali fez o melhor. Teresa sorri. Seu sorriso combina com a tiara, com o lindo vestido branco, com sua pureza de menina.
O segundo é o irmão. Cumpre seu papel, mesmo achando que “paga mico” . Ama a irmã ainda que não revele. Novamente, Teresa é só sorriso. Graciosamente, ela baila consertando, sutilmente, os tropeços do irmão.
O terceiro. Ah! O terceiro...
Secretamente seu coração dispara. Suas mãos agora suam. Ninguém sabe, ninguém percebe. A menina que dançou com o pai e com o irmão deixa de existir.
Surge a moça apaixonada, arrepiada pelo toque da mão  em sua fina cintura. Os lábios, agora, desejam mais que sorrir. Querem sentir.
Ninguém sabe, ninguém percebe, mas para ela somente agora a festa começou.

VI


Previsão celeste:
Andorinhas revoando
Mudança de tempo

V


Mar e céu azuis
Amplidão horizontal
Carícia de vento.