quinta-feira, 30 de junho de 2011

Reminiscência


R.evivo emoções
E.nquanto vivo outras
M.ergulho no passado
I.ndestrutível liga com o presente
N.ada é exato, a

I.mpressão é vaga, distante:

S.eleciono sentimentos

C.omo se estivessem numa vitrina

E.m vão quero-os genuínos

N.enhum, porém, é como antes

C.ada minuto pretérito é transformado

I.nvadido pelo meu agora

A minha visão é que os anima.

domingo, 26 de junho de 2011

Aos quarenta e....

Nasci em 27 de junho, numa rua repleta de sítios e árvores, às 23 horas numa casa na rua Regina de Moraes 111 ou Cova da onça como os moradores do bairro até hoje a chamam.

Com certeza herdei um pouco da quietude daquele lugar, daquela paz de ouvir murmúrios de riachos, cantos de bem-te-vis e outros tão sutis que nunca pude definir.

A casa onde nasci ainda existe. Morei pouco tempo nela, mas adorava passear por aquela rua sem saída que terminava sob um pedaço lindo de mata atlântica. Cansei de ficar na ponta dos pés tentando ver o que havia por trás das cercas vivas que encobriam casas abastadas de gente que nunca conheci. Era um lugar perfeito para as minhas crises adolescentes, meu ninho.

Quando eu não me entendia, inconscientemente, procurava a minha rua, o meu início.

Passaram-se mais anos do que eu gostaria; a rua agora está cheia de condomínios, entretanto meu olhar sobre ela não mudou. Ainda me vejo com chinelos de dedo caminhando por seu solo barrento, desnivelado, cheio de pedrinhas, misturando sonhos e realidade.

Turbulência cheia de vida!

Hoje, a rua em que moro é asfaltada. As pedras e os desníveis são outros, porém minha janela abre-se para dois grandes sítios cheios de pássaros, árvores, plantas e muitos barulhinhos que ainda não sei definir.

O tempo passou, mas felizmente, presenteou-me com a sabedoria dos anos.
Paz cheia de vida!

sábado, 25 de junho de 2011

Individual


Não sou pedra que se atira em vidraça
Não sou vidraça atingida por pedra
Sou o meio
Mediatriz
Mediação
mediador
Apaziguamento
Diálogo


Entre um e outro
Sou
amortecedor

quarta-feira, 22 de junho de 2011

domingo, 19 de junho de 2011

Ampulheta

A.paixonado tempo que escoa
M.ilimetricamente incalculado
P.erdido por toda a eternidade
U.ltrajado pelo desprezo
L.egado à sua passagem
H.umilha, então, quem não o percebeu
E.smaga friamente a esperança
T.ortura cruelmente o perdedor
A.proxima a vida da morte e perdido não volta atrás.

sábado, 18 de junho de 2011

Sob a pele

Mexo
Remexo
Tranco gavetas
Queimo papéis
Faço promessas
Refaço juras
Nada acontece.

Meu coração torce
Minha mente apaga
Mas meus sentidos não te esquecem

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Delírio extremo

Há um momento inesquecível
De aperto de lábios
Desespero contido
De sussurros secretos
Gritados no ouvido
De congelar minutos
De congelar as horas
De congelar os dias
Os meses
Os anos
Numa cena única de prazer.
E reviver pra sempre em slow motion
O gosto de ter você!

segunda-feira, 13 de junho de 2011

La moitié




Sem você
sou parte
pedaço
metade
fração
Sou
meio
semi
parcial
facção
Sou
hemi
tanto
quase
Se
sou
completa
incompletude
sem você.

domingo, 12 de junho de 2011

Dia dos namorados




Para quem tem


Se você tem namorado, desses que intimamente sabe que é definitivo é par para sempre, encha-o de carinho neste dia. Não economize. Mande flores, arrisque-se em uma declaração de amor bem melosa. Faça-o sentir-se importante, único, como certamente é. Surpreenda-o com uma saudável e criativa loucura de amor.

Se ele for passageiro, transforme este dia numa agradável recordação, daquelas que são ótimas pra curtir em domingos mornos à tarde ou em dias de chuva, aconchegado no sofá diante da tv. Seja terna, carinhosa. Saiba que o outro também quer um dia especial, parecido com cena de filme romântico ou final de novela.
Deixe uma marca indelével dessas que a gente adora contar como foi que adquiriu. Valorize quem está contigo ainda que por apenas um dia dos namorados.

Se o seu par já atravessou com você vários dias dos namorados, reúna os melhores momentos numa bela coletânea, recrie os mais marcantes, dance novamente aquela música, repita todas as juras de amor e presenteiem-se com a felicidade de terem vencido percalços, desavenças, desilusões. De terem vencido o tempo! Recomecem a própria história, ela já provou que vale a pena.

Para quem não tem

Anime-se! H á milhares de pessoas por aí, dobrando as esquinas da vida todos os dias, esperando encontrar o seu grande amor!

Sonhe! Não tenha medo. É desta maneira que a realidade toma forma. Portanto capriche nos detalhes, ouse nos desejos: a próxima esquina pode ser a sua.

Ame-se, presenteie-se. Se você estiver de bem consigo mesma, estará pronta, disposta, disponível para amar.


Seja! Esteja feliz com ou sem. O melhor, certamente, ainda está por vir!

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Experiência


E.nsaio em tubos da vida.
X.is da questão, procuro
P.arte a parte misturadas
E.m gases se tornam
R.enovar é necessário
I.ndagar, investigar, iniciar...
E.mpreitada de cada dia
N.ovo e velho em solução
C.ombinados, em conluio
I.ntroduzem um novo elemento
À. vida: SABEDORIA!

terça-feira, 7 de junho de 2011

Paulo



Paixão exagerada
Apimentado dizer em sua
Urgência poética
Livre e libertário

Obituário da mesmice

sábado, 4 de junho de 2011

Intromissão




Um fraco sol de outono
Teima em clarear
Meu desejo de escuro.
Me faz levantar
Encarar o dia
Viver!


Intrometida estrela!
Queria tanto me esconder
Não atender o telefone
Não ligar a tv


Mas lá vem o sol
E , descaradamente, esclarece todo meu dia!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Sapeca



Sou milho maduro
No fundo da panela
Sonhando ser pipoca
Esperando pra saltitar
Explodir
Aflorar
No calor
Escaldante da paixão.


Sou quente
Salgada
Saborosa
Desperto tua fome
Acentuo teu desejo

Provoco tua sede


Não te alimento
Sou teu vício
Tu não precisas de mim
Mas não resiste
Saliva
Saboreia
Me devora,
Me engole
Pede bis!


E quando saciado, sabes:
Sou eu, teu maior prazer!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bruma




Não falo
Não ouço
Não choro
Não sorrio
Desista!
Não estou!


Ando por aí
Por pensamentos perdidos
Por lembranças confusas
Por abraços não dados
Por beijos só desejados


Ando por aí
Onde não há
Vago, esmaeço
Leve pluma
Fumaça
Nuvem
Mariposa à sombra
Dor que não passa


Não sei quem sou
Estou incógnita de mim!