sábado, 28 de maio de 2011

sábado, 21 de maio de 2011

Pranto


A chuva contra minha janela
suave, delicada
Sussurra segredos de amor perdido
Chora baixinho sua dor
Escorre pelo vidro enfraquecida
Não posso parar essa chuva
Não posso parar seu lamento
Tento, então,colhê-la.
Com a palma da mão
ofereço carinho
à chuva que chora.
Seu pranto baixinho
ecoa em meu peito


Tadinha da chuva
Gemendo baixinho
Espalhando no ar
Seu choro de amor.

domingo, 15 de maio de 2011

Resposta




O dia chegara com olhos inchados. A noite fora extremamente longa.

Óculos escuros era a única solução possível para enfrentar o cruel sol que explodia do lado de fora.


Que luz era aquela? O dia merecia nuvens carregadas, raios, trovões e até gargalhada de bruxa. Entretanto, o sol brilhava.
A escova de dentes, o banho, o uniforme, o material escolar, os fones no ouvido, o estômago vazio...

Saco! A escola...

Queria estar em qualquer lugar do mundo, menos ali.


O mau humor, o corredor, as escadas, a parede pichada, a boca aberta!

O coração aos pulos, os degraus passando rapidamente, a sala, o lugar na sala, o fichário, o sorriso discreto.

- Quem escreveu “EU TAMBÉM AMO VOCÊ”?


Lá fora o sol começava a fazer sentido.

quinta-feira, 12 de maio de 2011

Couple




Olho no olho


          Mão na mão


Rosto no rosto


         Mão cintura


Tremor na alma


        Perna a perna


    Rodopio!


Mão na mão


       Rosto no rosto


Compasso cordial


       Pra lá


Pra cá


    Rodopio!


       Olho no olho


Mãos entrelaçadas


      Bocas unidas


Suores trocados


      Aceleração cordial


   Rodopio final!

domingo, 8 de maio de 2011

voraz



Fico observando uma lagartixa colada no vidro da janela.

Minha mãe diria que ela não tem modos! Arreganhada desse jeito, toda exposta.

Minha filha se arrepiaria, sentiria medo, nojo. Não olharia.

Eu a observo. Será que ela sabe que está assim tão exposta, tão vulnerável?

A lagartixa, no entanto, tem os olhos fitos nos insetos pululando à luz da lua. Talvez nem se interesse em saber a nossa opinião. Sem vergonha nenhuma, deseja.

Dane-se todo o resto!


De vez em quando me serviria ser uma lagartixa... Completamente focada em meus desejos. Grudada na tua janela despudoradamente.

terça-feira, 3 de maio de 2011

Turbulência




Queria escrever um texto calmo que saísse de mim e pousasse languidamente na virtual folha de papel.

Não sou assim! Meus textos são ansiosos, temem não alcançar a luz. Temem alcançar a luz.

Inveja eu tenho muita de quem consegue ruminar seus escritos, escolher para eles o melhor tempo e lugar; a melhor palavra.

Meus textos são ansiosos! Vomitam verdades e mentiras com medo do arrependimento. Saem pela fresta da porta espremidos, em fuga, porque não podem mais habitar apenas em mim. Querem vozes outras, olhares díspares para não morrerem sufocados. Saem, porque precisam de ar!

Há paz quando na folha de papel. Descanso merecido da turbulência em mim.

domingo, 1 de maio de 2011

Flash Back


Ouvir música sempre me fez viajar. Desde menina, perco horas sonhando, criando cenas com trilhas sonoras. A música é parte da minha própria história.

Minha mãe cantarolava Dolores Duran, Agostinho dos Santos, Ataulfo Alves; meu pai, Nélson Gonçalves. Engraçado que mesmo estando em plenos anos 70, eu gostava. Saboreava aqueles versos ainda que naquele momento não tivessem nada a ver comigo.

Guardei-os todos na memória. Até hoje sei cantá-los.

Lembro-me, também, de ouvir nas manhãs de domingo, um programa do governo sobre a história da MPB. Fico pensando que tipo de criança eu era.

A verdade é que na minha lembrança há músicas de todos os tipos, gêneros, letras... Muitas vezes, meus irmãos e eu lustrávamos o chão da nossa casa dançando disco music. Comunicávamos arbitrariamente nossa alegria com todo o bairro, colocando duas caixas de som na janela e elevando o volume ao máximo. Ninguém reclamava.

Mais tarde, já adolescente, minhas paixões sempre tinham uma canção preferida: lenta é claro! Pra fazer chorar aos montes. Normalmente temas de novela.

Saindo da adolescência, trabalhei por nove anos em rádio. Que paraíso!

Hoje, enquanto escrevo, ouço música. Média batida, porque não sofro de amor perdido, mas também não ando por aí saltitando.

Tudo tem seu tempo. O meu, tem acompanhamento musical.